Arqueologia
A memória talvez esteja me traindo nos detalhes, mas o detalhes falsos também são importantes
1#
É insuportável lembrar e intolerável esquecer. A Piauí deste mês publicou meu texto Arqueologia da escuridão, um híbrido de relato, ensaio, testemunho, que faz parte do meu próximo romance, Tempo fantasma, ainda em processo de finalização de escrita.
É o texto mais difícil que eu já escrevi na minha vida. Fisicamente. Emocionalmente. E espero que contribua para o debate sobre a educação de meninos e homens. Escrever sobre o peso de mais de trinta anos de silêncio. Contra o silêncio, contra o trauma.
Escavar essas memórias me fez também entrar em contato com o papel fundador da literatura e da leitura na minha vida, desde sempre. Não há nada mais poderoso que a ficção. E nada mais radical que imaginar mundos transformados.
Os livros sempre foram uma espécie de bunker na minha vida.
E muito obrigado a todos que já me mandaram mensagens no privado. E também aos editores da Piauí, em especial ao Alcino, pelo brilhante trabalho de edição, apuração e sugestões editoriais, desde setembro do ano passado. Não existe lugar melhor para publicar um trabalho desta natureza. E não vou fingir costume de estar na mais prestigiosa revista do país. É muito louco.
2#
Escrevi para o Segundo Caderno do jornal O Globo sobre o livro Cor de Defunto, da Cami di Malta. Um romance bem humorado que usa a ironia e o riso para elaborar um doloroso processo de luto. Gosto bastante dos livros da Autêntica Contemporânea, sempre algo diferente do que a gente vê por aí.
Estou tentando retomar minha coluna no Brasil de Fato. Mas como tenho pegado fretado às 5h15 de madrugada alguns dias da semana e também trabalhado em alguns sábados e domingos, estou ainda ajustando a rotina. Geralmente uso o intervalo antes e depois do trabalho, além do ônibus, para fazer as leituras. Além dos sábados e domingos de folga. A ideia é publicar uma coluna por mês, entre as resenhas que tenho escrito para outros lugares.
Luana já fez até figurinhas com a frase que eu mais falo lá em casa: “preciso terminar a resenha”.
3#
Fui assistir com o Joca Devoradores de Estrelas, adaptação do romance de Andy Weir (mesmo autor de Perdido em marte). É um bom filme com Ryan Gosling e Sandra Hüller. Uma fábula contraintuitiva sobre amizades improváveis nessa nossa era de cinismo, trincheiras e performance por interesse. Tem algo daqueles filmes esperançosos do Spielberg dos anos 80.
Se você curtiu esse texto, pode apoiar curtindo o post, compartilhando com amigos, divulgando nas suas redes. E também comprando meu livro na Amazon.






Te amo, parabéns pelo texto belo, inteligente e corajoso na Piauí.